Uma Noite no Puteiro
Tarde da noite e com fome, Silvia consegue uma refeição na zona da cidade. Além de um prato de macarrão, ela encontra a oportunidade de ser puta por uma noite. E não desperdiça.

Tenho poucos clientes e presto um serviço jurídico de excelência. Eles ganham muito dinheiro, ou deixam de perder, ficam felizes e não se importam de pagar meus honorários bem acima da média do mercado. É um bom negócio, para eles e para mim.
Mas nem tudo são flores. Às vezes tenho que descascar alguns abacaxis. Hoje é um desses dias. Meu cliente é dono de uma fazenda que está arrendada. Negociamos a renovação por dois meses. Valores na casa dos milhões. Tudo pronto, só faltando a assinatura. O cliente me liga e diz que o arrendatário quer discutir algumas cláusulas pessoalmente. Tento negociar uma reunião online, mas não consigo.
Só me resta encarar os trezentos quilômetros até a pequena cidade próxima da fazenda, onde mora o arrendatário. Esperto, meu cliente tira o dele da reta.
-Silvia, eu não preciso ir. Você sabe os meus limites e se eles forem respeitados, o negócio continua de pé. Se não forem, eu perco o negócio e você perde seus honorários.
Filho da puta! Colocou a faca no meu pescoço. Chego na cidade logo após o almoço e me dirijo até a casa do arrendatário. Ele me recebe na porta e me leva para o escritório. Com seus sessenta anos de idade e quase isso de experiência, é meticuloso. Lê o contrato e discute cada detalhe, cada vírgula. Pede esclarecimentos. Com paciência e simpatia, faço meu trabalho.
As horas passam rapidamente. Não sei se como tática de negociação, mas ele não me serve água, café ou comida. Estamos próximos de concluir. Olho para o relógio e são nove da noite. Estou com fome, com sede e cansada. Mas sei que ele também está. Mantenho meu sorriso e sigo firme nas negociações.
Uma hora depois, temos um acordo. Imprimo o contrato ali mesmo no escritório e ele assina.
-Silvia, você é dura na queda. Mas é justa. Estou feliz com o nosso acordo.
Lembro dos meus honorário e mantenho meu sorriso. Me despeço e entro no carro. A fome aperta. Abaixo o vidro e pergunto.
-Qual restaurante me indica para jantar?
Ele olha para o relógio e ri, antes de responder.
-A essa hora, está tudo fechado.
Filho da puta! Mantenho o sorriso. Dirijo pela pequena cidade. Tudo fechado mesmo. Vou para o hotel. Faço o check-in e pergunto pelo serviço de quarto.
-Nosso serviço de quarto já encerrou o atendimento.
-E onde eu posso encontrar uma refeição aqui na cidade?
Um tanto sem jeito, o recepcionista responde.
-Dona Silvia, a essa hora, só a zona da cidade está aberta.
A fome é maior que meu juízo.
-Qual o endereço?