O Novinho do Interior
Silvia visita o sítio de seus pais, que precisa de uma limpeza. No mercado da pequena vila, conhece Rodrigo, um jovem funcionário. Após uma entrega no sítio, Silvia e Rodrigo se entregam a uma noite muito aprendizado.

Meu pai passou a maior parte de sua vida no campo. Nasceu na fazenda de meu avô. Quando se casou com minha mãe, se mudaram para outra fazenda que recebeu de herança de sua avó. Lá, fizeram a vida. Nasci lá. Vim para a cidade para estudar. Minha mãe me acompanhou. Aos poucos, a vida deles se mudou para cá. A fazenda ficou à cargo dos empregados e meu pai visitava, cada vez menos. A distância de mais de duzentos quilômetros era um incômodo, principalmente com o avanço de seus problemas de saúde.
Para retomar o contato com a natureza, eles compraram um sítio próximo daqui, ao lado de uma pequena vila. De minha casa até o sítio são menos de cinquenta quilômetros. Quando meu pai nos deixou, pensamos em vender o sítio. Nas negociações, recebemos uma boa proposta de arrendamento e aceitamos. Dez anos depois, o arrendatário deixou o sítio e me coube receber as chaves.
Separei dois dias na semana para fazer isso. Minha ideia é limpar a casa e prepará-la para receber visitas de interessados em comprar ou arrendar. Saio na quinta bem cedinho e chego no sítio antes das oito. Rita, moradora da vila, me espera na entrada do sítio. Ela vai me ajudar com a limpeza.
Entramos juntas na casa, que estava fechada há pelo menos um mês. Muita poeira. Rapidamente Rita faz uma lista de produtos que ela precisará para a limpeza. Abrimos portas e janelas e ela começa a trabalhar. Eu vou para o mercado da vila, comprar os itens que ela pediu.
A vila é pequena, mas o mercado é bem abastecido. Pego o carrinho e começo as compras. No caixa, o dono do mercado. No fundo, o jovem funcionário. Sou a única cliente. Encontro tudo que procuro, menos o óleo de peroba que Rita pediu para lustrar os móveis de madeira. Peço ajuda ao funcionário.
-Bom dia. Vocês têm óleo de peroba?
O rapaz estava arrumando alguns itens na prateleira e se vira assustado. É jovem, um garoto ainda, e fica visivelmente desconcertado com minha presença.
-Tem… tem sim. Vou pegar para a senhora.
Ele se afasta de cabeça baixa. Rapidamente está de volta. Me entrega o óleo sem dizer uma palavra e olhando para o chão. Agradeço.
-Obrigado. Qual seu nome?
Ele me olha por um segundo e volta a olhar para o chão.
-Rodrigo.
No caixa, enquanto o dono passa as compras, volto a olhar para Rodrigo. É um jovem alto, forte e bonito. Sem barba. Cabelo curto, despenteado. Está de jeans e camiseta do mercado.
Minha preferência é por homens de ao redor dos quarenta. Na faculdade, eu tinha atração mais pelos professores do que pelos colegas. Mas alguma coisa em Rodrigo me intriga. Sua timidez, talvez. Ou o porte físico. Ou o rosto bonito. Ou o conjunto da obra. Sou acordada desses pensamentos pelo dono do mercado.
-Duzentos e quarenta. Qual a forma de pagamento?
Compras pagas e embaladas, o dono pede a Rodrigo para me ajudar a colocar no carro. E me avisa que faz entregas. Anoto o número do telefone e volto para o sítio.