O Casal Iniciante

Uma conversa no salão de beleza faz Martha ajudar Bianca, e seu marido Rômulo, a entender o meio liberal. Após um jantar, a primeira lição prática coloca as duas mulheres frente à frente.

O Casal Iniciante
Photo by Ihnatsi Yfull on Unsplash

Uma tarde típica no salão de beleza. Martha tem suas unhas tratadas pela manicure preferida. No mesmo espaço, três outras clientes são atendidas. As conversas entre as manicures e as clientes estão a mil, como sempre. Aproveitando um pequeno silêncio, ao final de uma história, uma das manicures solta a bomba,

-Gente, fiquei sabendo que teve uma festa em um condomínio que terminou em suruba no final de semana.

Ela se torna o centro das atenções. Todas querem saber mais. A manicure diz que ouviu isso de uma cliente, que participou. A cliente contou que o encontro acontece pelo menos uma vez por mês e que todos os participantes são do meio liberal. Mas que foi a primeira vez que a suruba aconteceu com todos juntos.

Contou também que o grupo é organizado por um casal famoso na cidade. Mesmo com todo mundo querendo saber, a manicure não revela o nome da cliente e nem do casal famoso. A cliente sentada ao lado de Martha entra na conversa.

-Amiga, me ajuda. Eu preciso saber mais sobre isso. Meu marido não para de falar nesses assuntos.

Com essa frase, ela passa a ser o foco da conversa. A profissional que a está atendendo faz a pergunta que todas as outras queriam fazer:

-Como assim, Bianca?! Conta essa história direito.

Bianca, uma loira charmosa, dona de um belo par de peitos, dá uma olhada ao redor e faz o pedido que, todas sabem, não vale de nada.

-Gente, eu conto, mas não espalhem, tá?!

Diante da concordância de todas, ela conta.

-Meu marido chegou em casa com essa ideia há alguns meses. De irmos a uma casa de swing. Eu quase o coloquei para fora. Mas ele é insistente. E volta e meia volta no assunto.

Uma das manicures, mais experiente, alerta.

-Fica esperta, amiga. Meu marido começou com esse papo e no final só queria comer minha melhor amiga.

-Também achei que fosse algo assim, mas parece que não é. Ele disse que quer apimentar o casamento. Eu até gosto da ideia, sabe. São vinte anos vendo sempre o mesmo pinto. Enjoa, né?!

Risadas no salão. Uma das manicures diz que há outras maneiras de ver outros pintos. Bianca recebe várias dicas. Ela resiste.

-Gente, não quero trair meu marido. E acho que ele também não faria isso. Claro, é homem, não coloco minha mão no fogo. Mas nunca tive motivos para desconfiar dele. Enfim, só sei que esse assunto está rolando lá em casa. Mas não imaginava que esse tipo de festa acontecesse aqui na cidade. Por isso quero saber mais.

A manicure que contou a história joga um balde de água fria.

-Minha cliente me mata se eu contar. E ela já disse que o grupo é fechado. Que eles não aceitam mais ninguém. Parece que tiveram um problema há alguns anos e decidiram isso.

Martha apenas ouve as conversas. Ela sabe quem é o casal famoso. E imagina quem seja a cliente que contou a história. Mas se mantém calada. A manicure que a atende, avisa.

-Pronto, Martha. Gostou?!

-Sim, ficaram ótimas, como sempre!