Elevador Panorâmico
Chuva em São Paulo. Uber atrasado. Martha impaciente. Elevador panorâmico. Freud tem cinco minutos para saciar a namorada.
São Paulo. Sábado à noite. Chuva intensa. Trânsito parado. Lobby do hotel lotado.
-Cadê o Uber, Freud?!
-Dois cancelaram. Esse vai vir. Prometi gorjeta.
-Vamos atrasar.
-Já os avisei. Vão nos esperar no restaurante.
Ela fecha o celular. Fica em pé. Caminha para lá e para cá. Freud acompanha o carro no aplicativo. Ela se aproxima. Sussurra.
-Essa demora me deixou com tesão…
-Uber chega em quinze minutos, Martha.
Ela rola os olhos. Mais uma volta no lobby. A chuva continua.
-Freud, vamos no quarto. Esqueci o batom.
-Martha, pode ir. Eu espero aqui.
-Freud, vamos comigo. A-GO-RA!
Ela marcha para o elevador panorâmico. Entram. Estão sós. Freud aperta o 23, sem desgrudar os olhos do aplicativo.
-Uber chega em oito minutos…
-Estou com tesão, Freud. Me come no quarto.
-Não dá tempo, Martha. O casal está esperando…
Ela aperta o botão de emergência. Elevador para no 15. Ela se apoia no vidro e puxa o vestido para cima. Está sem calcinha. Olha para Freud, por cima do ombro.
-Então você tem cinco minutos. Vem logo!