A Garota do Quarto ao Lado
Depois de ver a vizinha de quarto, Martha dá um show acústico nas transas com Freud. O ápice da estratégia é quando Matilda bate na porta do quarto, preocupada com os gritos de Martha.
Sexta-feira. Oito da noite. Freud, Martha e quatro crianças. Pizzaria lotada.
-Mesa para seis.
-Tem reserva, senhor?
-Sim, em nome de Freud.
Com o grupo acomodado, Freud organiza o pedido.
-Duas pizzas? Calabresa e Quatro Queijos?
Com a concordância do grupo, faz o pedido ao garçom. Martha organiza a agenda do dia seguinte.
-Crianças, amanhã vamos sair cedo do hotel?
-Que horas, mãe?
-Às oito, Joyce. Vamos passear na Lagoa da Pampulha.
-Tia, muito cedo! A gente quer dormir!
-É só vocês não ficarem no celular quando voltarmos para o hotel, Letícia.
Os meninos se manifestam.
-O que vamos fazer na lagoa?
Freud responde.
-Passear, Ian. Vamos tomar café em uma padaria. Depois, eu e Martha vamos correr na orla da lagoa.
-E a gente?
-Vocês podem passear pela orla. Tem muita coisa interessante por lá.
As pizzas chegam e são devoradas. Freud pede a conta. O grupo caminha de volta para o hotel. Freud resume o plano do dia seguinte.
-Saímos às oito. Café na padaria, passeio na lagoa, almoço em um restaurante na Savassi e depois voltamos para o hotel. Dormem cedo e ninguém se atrapalha para o vestibular no Domingo. Todos de acordo.
Ninguém discorda. No hotel, os meninos sobem para o quarto. As meninas sentam-se no sofá da recepção, enquanto Freud resolve um assunto sobre a reserva do grupo. Martha orienta.
-Meninas, subam logo para o quarto. E não enrolem para dormir.
Um pouco a contragosto, elas obedecem. Freud termina de conversar com o recepcionista. Martha chama o elevador. Uma jovem sobe com eles, carregando uma mala de mão, com cabelos e roupa molhada.
-Pegou chuva?
A moça sorri.
-Para completar meu dia horrível…
Martha se compadece.
-O que houve, querida?
A moça sorri, conformada.
-A caminho do aeroporto descobri que a empresa emitiu errado o meu voo. Vou ter que passar o fim de semana aqui. Alterei o trajeto do Uber e errei o endereço. Tive que caminhar duas quadras e a chuva me pegou.
Martha a acolhe.
-Essas coisas acontecem… e nos fortalecem… onde você mora?
-Em Brasília… trabalho em uma consultoria… estou atendendo esse cliente em Belo Horizonte…
-Nós viemos da pizzaria. Conseguimos escapar. A chuva começou quando chegamos.
O elevador para e os três descem. A moça segue na frente. Entra no penúltimo quarto do andar. Freud e Martha passam por ela, a caminho do último quarto. Martha se despede.
-Boa noite e bom fim de semana.
Ela abre um sorriso.
-Boa noite, obrigada.