A Filha do Prefeito
Freud visita uma pequena cidade do interior do Mato Grosso à trabalho. Lá, conhece a filha do prefeito. O relacionamento entre os dois é ameaçado pelo prefeito ciumento e pelo segurança truculento.

Eu trabalhei em uma empresa de ônibus, que operava rotas entre Mato Grosso e Rondônia. No final dos anos oitenta, uma das minhas responsabilidades era visitar unidades da empresa ao longo da rota, para checar se as coisas estavam funcionando bem e fazer os eventuais ajustes.
Uma dessas unidades era um posto de combustíveis, que servia como base de apoio para os ônibus. Ali havia troca de motoristas e abastecimento dos ônibus. A cidade mais próxima estava a vinte quilômetros dali e era muito pequena à época.
Em Dezembro e Janeiro o movimento de passageiros era mais intenso. Precisei visitar o posto para uma atividade de uma semana. Na pauta, checagem dos processos e treinamento para um novo serviço.
Longe da cidade, o posto recebia energia elétrica de uma pequena central hidrelétrica construída pela empresa às margens da rodovia. A represa da usina era uma das atrações da região e ficava exatamente no meio do caminho, entre o posto e a cidade.
A viagem até o posto levou a noite toda. Cheguei com o dia amanhecendo. Fui recebido pelo Leopoldo, que era o gerente do posto. Após um café e as boas vindas, me indicou um quarto no alojamento dos motoristas. Era um dos dois quartos duplos, reservados para a equipe da empresa. Para minha sorte, naquela semana eu não dividiria o quarto com ninguém.
Depois de um banho, montei o cronograma de atividades com o Leopoldo. Começaríamos após o almoço. Almoçamos juntos e ele me contou um pouco mais sobre a cidade, que estava em franco crescimento, mas ainda era muito pequena. Era uma das fronteiras agrícolas do estado.
Durante a conversa, Leopoldo destacou a amizade dele com o prefeito. Segundo ele, isso era bom para o desenvolvimento da empresa e do posto. Mas que também mantinha uma distância saudável, pois o prefeito era um fazendeiro muito conhecido na região e tinha fama de violento.
-Quer conhecer o prefeito, Freud?! Posso apresentá-lo à você.
-Não é minha prioridade, Leopoldo. Mas se houver a oportunidade, tudo bem.
Terminamos o almoço e iniciei as atividades de checagem dos processos, que eram todos manuais à época. Encerrei o trabalho no final do dia, jantei no restaurante dos motoristas, interagi com eles e fui dormir cedo. Era a rotina de uma unidade praticamente no meio do nada.